Archive for September, 2009

O mistério adensa-se e a confusão aumenta

Tuesday, September 29th, 2009

Cavaco Silva falou ao País! (declaração completa aqui e notícia no Publico)

O nosso Presidente perito em tabus, desfez hoje o de mais recente criação, apenas para ficar tudo na mesma, com umas farpas ao PS pelo caminho.

Sinceramente, já nem me espanta muito. Não sei para onde isto vai, mas está cada vez pior. Ou o bom senso impera, ou dou por mim a concordar com Alberto João Jardim (!!!!!!!!!!!! e ainda !!!!!!!!!!!) quando afirma que o País é ingovernável.

O que o Sr. Presidente fez foi rebolar no que se tem dito, sem esclarecer praticamente nada.

Afinal não falou de escutas, mas questiona a segurança informática da Presidência, a Presidência esteve caladinha, mas o assessor foi afastado por ter falado de mais, não há problema nenhum em staff de Belém participar em actividades partidárias, mas ninguém o fez, falou agora porque antes não podia, mas ninguém dúvida que durante toda a campanha anterior o assunto andou sempre a pairar como um abutre e por fim, a opinião é pessoal, mas o choque institucional está lá a cada parágrafo.

Pelo meio sucedem-se as acusações ao PS, focando-se com especial intensidade em pressão alegadamente sentida pelo Presidente, com intuito de desviar as atenções da campanha. Pergunto-me eu se a atitude do Senhor Presidente neste “crise” não cumpriu melhor essa função? Com semelhante trapalhada, era difícil fazer maior alarido!

Mais uma confusão para o novo Governo (que ainda nem sequer foi convidado para tal), que vai adensar a intriga política. No final resta saber se alguém vai estar com paciência para os ouvir…

Refrescante confusão

Monday, September 28th, 2009

Parece que, tirando o PSD, estas eleições foram um enorme sucesso.

O PS conseguiu convencer o país que embora o PS não faça grande trabalho na governação, a única alternativa possível é ainda pior. Uma verdadeira vitória democrática

A CDU embora tenha sido atirada para o lugar menos significativo e perdido o seu domínio à esquerda, pensa que o aumento do número de deputados é uma vitória! Foi uma subida para o último lugar…

O Bloco de esquerda congratula-se com a duplicação do número de deputados e pensa já em políticas de esquerda esquecendo-se que qualquer acordo entre o PS e o bloco não tem a maioria. Assim o bloco vai passar mais 4 anos a propor projectos lei que nunca serão aprovados, sem ter qualquer influência na governação deste país…

O CDS pode-se gabar de ter realmente tido o melhor resultado de entre todos os partidos, de tal modo que o Paulo Portas ainda deve estar a tentar perceber como é que isto aconteceu. Não deve ter sido por causa da nada brilhante que ele tenha feito na campanha eleitoral. Agora que o CDS é a única força política que pode oferecer ao PS a maioria para aprovar as leis que o PS venha a propor. Como partido de direita a única coisa certa é que o CDS até a mãe vai vender por alguma vantagem e uns “jobs for the boys”, vai vender caro, mas vai vender…

O PSD parece ter sido o único partido que não conseguiu vender a ideia que foi responsável pela perda da maioria absoluta do PS e que essa é uma grande vitória… nem um bocadinho. Toda a gente já está à espera do baile do costume com mais uns quantos membros do PSD a querer tirar de lá a “outra senhora” tentando fazer aproveitamento político desta derrota. A verdade é que a culpa desta derrota não é de mais ninguém…

O que fica no final disto tudo é uma sensação de desconforto e uma falta de esperança para o futuro político português. Vamos passar de um governo que faz o que lhe apetece e não ouve ninguém, para um governo que deveria ser social de esquerda que terá de concertar todas as suas políticas com a direita. Vamos passar a ter uma assembleia preocupada em governar os interesses internos, as trocas de favores, mais do que a pensar nos portugueses. Vai ser interessante, como aqueles acidentes na autoestrada que todos param para ver, muito interessante…

Olha a Esquerda Burguesa Fresquinhaaaaa!

Sunday, September 20th, 2009

Num verdadeiro caso de sectarismo, versão piscícola, Francisco Louça não foi à banca das peixeiras no Mercado de Alcobaça.

Parece-me a mim que na ânsia de se mostrar diferente, o líder bloquista lançou uma armadilha a si mesmo e saiu mal visto da cena. E é bem feito! Por muito folclore que se gere à volta das visitas dos políticos aos mercados, designadamente à zona do peixe, tal não deve implicar um ostracismo a quem lá trabalha. Se era para visitar um mercado, visitava tudo! As ditas peixeiras são uma espécie um tanto ou quanto vistosa e barulhenta, mas evitá-las daquele modo parece um intelectualismo burguês que assenta que nem uma luva ao Bloco.

Ficou-te mal Louçã…

Esquerda Volver!

Wednesday, September 9th, 2009

Foi um belo debate aquele que opôs José Sócrates a Francisco Louça. Já no Parlamento gosto de ouvir estes dois a degladiarem-se e hoje à noite, na RTP, a discussão foi viva e interessante.

Reconheço a Francisco Louça uma inteligência que supera os condicionalismos ideológicos do Bloco de Esquerda. Estamos perante um homem com ideias, e que sobretudo sabe por que as tem. Isto é, sabe a lógica subjacente a elas, o que elas implicam e o que elas podem trazer, nota-se uma reflexão naquilo que propõe e consegue transmitir isso mesmo. Não debita retórica decorada de livros comunistas bafientos, estabelece sim uma linha de acção pensada e cuidadosamente defendida. Dito isto, a ala mais radical do BE deita o resto a perder, a nacionalização das maiores empresas portuguesas é disso exemplo.

Já Sócrates encontra em Louça um adversário à altura, eloquente e pronto a desarmar argumentos menos conseguidos. Penso que se viu o Primeiro-Ministro atrapalhado numa ou outra ocasião, incapaz de fazer valer os seus pontos de vista e desejoso de mudar o tema.

Como disse, o Bloco peca pelo seu posicionamento ideológico mais extremo. Com um PS tão chegado ao centro, com uma entorse para a direita, uma esquerda moderada fazia estragos, aí não se não fazia….

Que dois se juntaram!

Monday, September 7th, 2009

Esta Ferreira Leite tem cada uma! Onde será que ela vai desencantar tamanha capacidade para dar tiros no pé?

Ainda a outra Manuela (a Moura Guedes) recupera do tombo, já esta vai de trambolhão em trambolhão, sujando de cada vez que caí um degrau, a palavra democracia. Depois de comparar o Jornal Nacional ao melhor que a democracia nos oferece, agora vai à Madeira elogiar as capacidades do seu líder, o eterno democrata Alberto João Jardim!

Calha que eu até tenho um contacto privilegiado com o dito arquipélago, vou lá mais que uma vez ao ano e sinto-me sempre numa Venezuela dos pequeninos. Ora são as sedes do PSD por toda a parte, ora é qualquer supermercado, fontanário, passeio, edifício, conjunto de apartamentos, ou jardim que tem lá a bela da plaquinha “Inaugurado a …. por sua Ex.ª o Presidente do Governo Regional da Madeira, Sr. Dr. Alberto João Jardim”, ou é o Jornal da Madeira, distribuído gratuitamente, qual pasquim do regime, mas com um preço de face de 10cents, para evitar complicações com o Tribunal de Contas e afins. Também podia falar da cautela que é necessário observar para não falar em público sobre o estado da política madeirense (recomendaram-me, logo na primeira visita, para evitar o assunto), reservando-se para o recato do lar tais discussões ou observações. “Mas porquê, vão-me prender?”, cheguei a perguntar. “Não, mas quem estiver contigo pode vir a ter problemas, principalmente se trabalhar para o Governo Regional”, foi a resposta que me calou.

A isto Manuela Ferreira Leite chama “Bastião inamovível” e “bom governo do PSD”.

Começo a ter medo da noção de democracia desta senhora, só espero não estar sozinho…

Mas qual e a diferença?

Thursday, September 3rd, 2009

A força do PCPFoi magnífica a pergunta da judite de sousa no debate de esta noite entre Jeronimo de Sousa e Francisco Louça, ” Qual a diferença entre o Bloco de Esquerda e O PCP? “. O que separa os velhos que vêm de uma estrutura politica que nunca mudou de uns jovens que ainda parecem estar internamente separados? A resposta de ambos foi “NADA”. A única coisa que ambos parecem fazer é atacar o governo, unidos com este objectivo nada os parece separar. Ficou muito claro que embora ambos pensem que a politica de Socrates nos ultimos 4 anos foi desastrosa, apenas Francisco Louçã apresentou propostas minimamente realistas. O PCP parece ainda sonhar com um país com fronteiras fechadas em que se podem ignorar todos os concorrentes estrangeiros e colocar a siderurgia portuguesa a produzir todo o aço para todas as obras em Potugal. Claro que não dá para entender como no mesmo tema consegue propor que iria aumentar as exportações… cá para mim o lider do PCP está a confundir Portugal com a China.

Depois de tudo, das multiplas ofenças e diferenças já muitas vezes enumeradas tanto por Jeronimo de Sousa como por Francisco Louçã parece que nada restou. Como duas crianças que andam à pancada quando os pais não estão por perto parece que quando confrontados por alguém que quer saber o que se passou ( neste caso o publico portugues representado por Judite de Sousa) nada dizem. Parece que estes senhores têm vergonha de ser independentes uns dos outros, como se o comunismo fosse uma religião e nenhum queira admitir a possibilidade de duas biblias…

Joana d’Arc Tuga?

Thursday, September 3rd, 2009

A oposição encontrou uma figura mitíca, ainda que invulgar, para cavalgar contra as hostes socialistas. Como Joana d’Arc uniu a França contra a hegemonia inglesa, também Manuela Moura Guedes levantou a oposição, num coro de críticas e de pesar, contra o Império Sócrates. Aguiar Branco (que é que eu tinha dito no meu último post? :p), Paulo Portas, Jerónimo de Sousa, e BE, todos emitem declarações unânimes de lamento pelo despedimento desta “jornalista”  e chegam ao ponto de a eleger como paladina da democracia!

Admito que desta vez me caiu o queixo… Ao que se chegou para que uma figura destas assuma tamanho protagonismo! E que extremos de oportunismo político quando temos a oposição em peso a criticar uma decisão de gestão privada (e estamos a falar da direita portuguesa, eterna defensora do liberalismo económico!).

Vamos cá ver umas coisas. É certo e sabido que a Manuela Moura Guedes tinha as costas muito largas, com o marido como director da TVI. Ora isso acabou e o Jornal Nacional era tudo menos consensual, portanto porquê tanta indignação por uma decisão que há muito se antecipava?

Ataques cegos ao Governo são normais, já ninguém estranha, mas não consigo conceber como a oposição se une em torno de alguém como a figura em questão. Será que é tanta a vontade de criticar o executivo PS, que tudo serve para o acusar de despotismo? Há muita coisa que falta neste país, sendo uma delas o sentido do ridículo.

P.S. Já agora, a Bolsa aplaude