Ao que se diz à boca cheia os nossos militares estão descontentes. Até aí nada de novo.
Aliás, praí 95% dos portugueses estão cronicamente descontentes o que torna o descontentamento um fenómeno cultural que, ao contrário do que muitos dizem, reforça a nossa coesão nacional. Afinal nada estimula mais o sentido de sermos um só povo, do que estarmos constantemente a queixarmo-nos uns aos outros e uns dos outros.
Mas voltando às nossas forças armada, o que me chamou particular atenção foram as palavras do General Loureiro dos Santos, que no seu alerta ao governo comparou o actual estado de espírito vivido entre os militares, com o que deu origem ao 25 de Novembro de 1975… Isto se fosse dito pelos Gato Fedorento tinha uma piada do catano, agora pelo general é simplesmente triste, ou revoltante, ou ambos.
Insinuar que uma revolta militar pode estar iminente, que a democracia pode ser ameaçada por um golpe de estado levado a cabo por militares “jovens” e “irreflectidos” é um acto cobarde de reivindicar mais regalias, servindo-se para isso dos meios que os contribuintes portugueses põem nas suas mãos.
Eu não percebo muito de Direito Militar, mas parece-me que quem quer que ponha em perigo a nossa Constituição e o Estado devia ser considerado traidor da Pátria e tratado como tal. E que se estas afirmações tiverem um pingo de verdade, então em vez de se andar a alardear patacoadas, devia-se realizar uma investigação séria para expurgar os ditos traidores.
É por estas e por outras que cada vez menos percebo a utilidade do nosso exército…
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