A insularidade mata?

Alberto João JardimA Madeira, pérola do Atlântico, pátria de El’ Rei Pançudo Alberto João Jardim e sua corte, morada dum património turístico invejável e de milhares de velhinhos vindos dos glaciares e neves da Europa central e do norte.

Para um continental (ou “cubano” como “carinhosamente” um natural de Portugal Continetal é, por vezes, apelidado), salta à vista o clima e o mar al dente, a beleza paisagística e o ferrenho regionalismo destas gentes, quais irredutíveis gauleses de Goscinny e Uderzo. Os jornais regionais (“matutinos independentes”) são a moeda corrente, sendo os nacionais generalistas relegados para segundo plano, e diga-se que, para uma região de pouco mais de 200.000 habitantes, nota-se a dificuldade em arranjar notícias que façam um jornal.

Nada que assuste editores e redactores, afinal há sempre a política regional e a do “rectângulo” (outro nome para Portugal Continental) para apimentar e encher as páginas. Todos sabemos que El’Rei Pançudo é profícuo nas suas intervenções, e não são raras as referências veladas (ou não) à independência do território e à pouca qualidade da política “rectagular”. Bem, até lhe dava razão neste último ponto, mas apetece usar um dito da infinita sabedoria popular….diz o roto p’ró nu…

Chego à conclusão que a Região Autónoma da Madeira vive dividida entre aqueles com miopia aguda a degenerar para a cegueira, convencidos que uma ilha pode ser um país e os outros, os que sabem reconhecer que as especificidades dum território são para ser mantidas e preservadas sem gerar, com isso, divisões.

E não me saí da cabeça que toda esta ânsia pela autonomia é mais uma forma de manter os mesmos no poder. A técnica é velha, remonta aos primórdios do pensamento político, e consiste em criar um inimigo externo, centrar-se nos pontos de ruptura e culpá-lo por todos os males internos. Serve, por um lado, para gerar união no território e, por outro, para desresponsabilizar as lideranças pelo que está mal. Perguntem a um tal de G.W. Bush que ele percebe do que eu estou a falar…

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