A minha casa?
Sempre que alguém diz que tem uma casa nova, é preciso um esclarecimento. Se essa pessoa comprou uma casa sem precisar de um empréstimo, muito bem. Caso contrário a casa é do banco, e continuará a ser do banco por muitos anos. Para que realmente fiquem com a casa têm de pagar cerca de 200% do valor original! O que só agora alguns começam a compreender é que quando a casa for realmente deles, já pouco ou nada valerá…
Deixando para outra vez a discussão a favor ou contra a compra de casa versus arrendamento. Começa a ser evidente que muitas pessoas foram enganadas com a ideia que as casas iriam continuar a valorizar para sempre. Basta algumas contas para perceber que os 10% de valorização que alguns achavam normal não se poderiam manter em face a uma inflação de 2.5%. O que se passou nos últimos anos esteve relacionado com a movimentação das populações e um aumento do poder de compra (endividamento…) que ocorreu. Mas tudo isso nunca seria sustentável. Parte da descida de preços que está a ocorrer deve-se à crise do crédito, e ao abrandamento da economia. Mas em Portugal existe um outro factor, um factor previsivél há muito tempo.
Sem grande esforço todos podemos recordar tempos em que os apartamentos eram de baixa qualidade mas baratos e que por isso se vendiam rapidamente. Agora cada vez mais os prédios e moradias são publicitados não como baratos, mas sempre com o ponto de vista da qualidade. Porquê? Simples, o mercado está a esgotar-se. No Salão Imobiliário de Lisboa um dos responsáveis do sector explicava que o número de casas em Portugal estava muito próxima do número de famílias e assim sendo o mercado iria abrandar. Isto implica que o mercado vai cada vez mais preferir qualidade, e usado não são de quantidade… Cada vez mais começam a aparecer casas à venda a preços de saldos, a maioria na posse de bancos que neste momento de crise querem é liquidez.
Quanto tempo demorará para todos esqueçamos esta crise e voltemos a cair em perdição?
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