Consumidor Ignorante

estupidoA maioria de nós há muito que decidiu que quase a totalidade dos factores económicos e sociais que nos afectam estão  acima da nossa capacidade de compreensão. Como tal deixamos de nos preocupar com tais coisas e decidimos ir ver a Teresa Guilherme a prostituir a alma de mais um  português (volta Zé Maria, estás perdoado). Pensamos que alguém acima de nós trata dos nossos interesses. O problema é que essas pessoas (políticos, economistas, directores de empresas) pensam sempre primeiro nos seus interesses, é essa a natureza da sociedade capitalista em que todos nos sentimos tão bem.  Mas, quando a coisa corre mal, todos queremos saber o que se está a passar…

A mais recente embrulhada que passou a ser importante para todos é a subida do preço dos combustíveis. O que a maioria parece não compreender é que o principal responsável pela subida dos combustíveis é o consumidor ignorante. O que, infelizmente, enquadra a grande maioria dos portugueses. E aqui vai porquê:

Os culpados nunca poderão ser as empresas, essas são entidades capitalistas cuja obrigação é  sempre o maximizar do lucro (obrigadas a isso por lei). Visto que o preço dos combustíveis no mercado é livre, as empresas irão subir o preço sempre que isso não represente uma diminuição da procura. Aqui está o primeiro ponto que não dá para perceber. A GALP tem vindo a chular os portugueses com preços ridículos, mas as bombas da GALP estão na mesma cheias. Não deveriam estar às moscas? Sem que haja concorrência, o que acontece é a tendência a que os preços sejam aproximadamente os mesmo (e se mantenham altos), com ou sem conluio.  Hoje em dia há algumas bombas mais baratas em que num tanque de combustível se podem poupar 3-5 euros. Porque é que alguém iria abastecer noutro lado?

Mas para além do português ignorante existem outros culpados nesta crise. O mais controverso é o governo. Neste caso a culpa não é directa. O governo não deve, nem pode, alterar a liberdade do mercado. O que pode, e devia, fazer era quebrar o monopólio de distribuição que está nas mãos das empresas de venda (GALP, BP e REPSOL).  O governo também devia deixar abrir mais postos de abastecimento de supermercados ou outros locais de desconto que baixam o preço e aumentam a concorrência.

Muito mais discreto é um culpado que já ninguém pode parar, os meios de comunicação. Este, levantando a bandeira da informação, acabam por levar a cabo uma campanha de desinformação que se não foi encomendada pelas petrolíferas é de certeza muito bem acolhida pelas mesmas. Sempre que o preço em dollars do petróleo sobe aparecem grandes noticias que levam à crença de que a subida dos preços dos combustíveis é justificada. O que tem vindo a acontecer é que a maioria das variações do preço de petróleo têm apenas a ver com a valorização/desvalorização do dollar. Sem que isso nunca tenha sido explicado  nos telejornais, cria-se uma justificação que não existe. E perpetua-se a mentira de que o petróleo subiu muito em 2008.

Numa democracia capitalista cabe ao consumidor/eleitor manter as empresas debaixo de olho e punir os políticos que não resolvam os problemas. Mas para isso é necessário que os consumidores/eleitores procurem perceber os problemas que existem antes de eles se tornarem críticos. Um sociedade tende sempre a pagar pelos erros que comete. Em tempos erros resultavam na perda de soberania através da conquista por uma sociedade mais forte. Hoje em dia os sacrificados são o crescimento económico, o poder de compra e a igualdade social.

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