Recebi hoje um forte comentário ao post bora lá para a greve por parte de um camarada comunista que, embora tenha sido apagado por ter um caracter insultuoso, levantou algumas questões importantes. Fica aqui a parte que não continha insultos:
Parece que os portugueses são uns mandriões, não trabalham nada, pois fique a saber caro senhor que os portugueses trabalham muito, e por um preço económico 450 € a mais de 40 horas por semana, porque não experimente ajudar o país fazendo o mesmo que estes portugueses, ou seja ser explorado, ainda vem dizer que devem é trabalhar mais para ajudar os “gordos” dos lucros.
Quanto aos Alemães tomara os portugueses ganharem metade do que ganham e não se esqueça que se eles são ricos é à conta dos trabalhadores emigrantes portugueses que lá estão a trabalhar. Nunca lhe ocorreu o pensamento de que os portugueses são muito trabalhadores, não vê isso pelos nossos emigrantes, mão de obra da mais apreciada na europa.
No que toca ao primeiro ponto, quase nunca são os trabalhadores que ganham 450€ por mês que fazem greve. Em Portugal as grandes greves são convocadas pelos professores (>1000€), por infermeiros (>900€), funcionários públicos (> 850€) e por outros profissonais (médicos, pilotos,…) em que nem vale a pena estimar salários. Só estas greves têm algum impacto em termos de negociação. As greves em pequenas empresas (onde se trabalha realmente por 450€) acabam na maioria das vezes por trazer mais problemas para os trabalhadores do que resolvem.
Quanto à comparação de salário com os trabalhadores alemães só pode ser feita quando for tomada em conta a productividade dos mesmos ( que é bastante maior). O ponto de vista de que somos nós que vamos enriquecer o povo alemão é tão absurdo que nem deve ser comentado, se ao menos tivesse referido o povo turco (esse sim está na base de muito do deselvolvimento na Alemanha). Os portugueses que trabalham no estrangeiro dividem-se em duas partes escravos ou especialistas. Infelizmente a primeira categoria ainda é dominante, sendo estremamente fácis de substituir.
Para quem me conhece sabe que eu já vivi em 4 paises (UK, PT, CH, USA) e conheço como sociedades de direita e esquerda (boas e más) funcionam. Conheço muito bem também quem são os portugueses que trabalham no estrangeiro e como eles são vistos noutros países.
O que me chateia em Portugal é que nem a parte de direita (empresas e mercado) nem a parte de esquerda (governo socialista e associativismo do povo) parecem funcionar para o interesse de Portugal como um todo. Como um comunista que conheço dizia: “Todo parecem lutar pelas pequenas diferenças entre ideias individuais e a união necessária para fazer algo de útil tornas-se inutil. O que falta em Portugal é educação cívica para que o povo portugês não possa ser manipulado por interesses minoritários”.
Este blog não tem grande quantidade de seguidores, também não é para isso que serve. Aqui ficam escritos desabafos sem importância, nunca ataques intencionais. Todas as opiniões devem ser ouvidas, todas as minorias respeitadas, estamos numa democracia com liberdade de opinião.