A moral de Cavaco
Monday, August 25th, 2008
As acções do Senhor Presidente Cavaco Silva na semana passada fizeram-me voltar ao passado. Depois de saber que o presidente tinha vetado as alterações à lei do divórcio, apresentando apenas razões de moralidade e de treta, a minha memória levou-me para tempos mais simples, em que Cavaco Silva era o nosso primeiro ministro que subia a coqueiros e fazia auto-estradas. Ora nesses tempos que já estão para lá da duração média da memória colectiva portuguesa (cerca de 5 dias nos tempo que correm…) o Cavaquinho ganhou as legislativas com a bandeira da regionalização para alguns meses depois dizer que afinal não era isso que os portugueses queriam, que não era a altura adequada.
Aqui mais uma vez o agora Senhor Presidente está a dizer que embora um documento não seja de modo nenhum inconstitucional, ele acha que nós queremos algo mais de encontro com as noções retrógradas que ele tem pessoalmente. O que o presidente está a demonstrar é que embora estejamos numa democracia, ele quer que as coisas sejam como ele acha melhor, não como a maioria dos representantes eleitos pelo povo decidem. Esta merda está demasiado próxima de uma tentativa encapuçada de autocracia, ele acha que nós devemos segui-lo… tá mal… ele é que deve fazer o que nós queremos. Talvez fosse bom lembrar ao presidente que ele foi escolhido pelo povo porque a maioria achou que o Mário Soares seria ainda pior como presidente. Como tal o povo português em geral não se revê no Professor Cavaco Silva, muitos nunca gostaram dele, mas foi o mal menor.
No que toca as justificações dadas pelo presidente para o uso do veto político, Cavaco Silva diz que “o novo regime jurídico do divórcio pode conduzir, designadamente as suas implicações ara uma indesejável desprotecção do cônjuge ou do ex-cônjuge que se encontre numa situação mais fraca - geralmente, a mulher -, bem como, indirectamente, dos filhos menores.”. Realmente este país a mulher continua a ser considerada apenas uma dona de casa, mais fraca, que precisa de protecção na lei portuguesa. Isto realmente leva a que qualquer lei de igualdade para a mulheres seja uma treta. Só faltava colocar uma clausula no “contracto” de casamento a explicar os deveres de casa da mulher, não senhor presidente!
O que me fez rir alto e em bom som foi o seguinte argumento: “numa situação de violência doméstica, em que o marido agride a mulher ao longo dos anos - uma realidade que não é rara em Portugal -, é possível aquele obter o divórcio independentemente da vontade da vítima de maus tratos”. A sério, e isso seria mau porquê???? Devemos defender a continuação de uma convivência entre um casal em que um leva no focinho do outro… Nas palavras da deputada do Bloco de Esquerda Helena Pinto: “A violência doméstica já é crime, não tem a ver com a lei do divórcio, é um crime à parte”. Eu não sou nada de concordar com o bloco de esquerda, mas não arranjo palavras melhores.
Portugal precisa de deixar o provincianismo e arrancar para uma sociedade em que os jovens se sintam representados. O Senhor presidente é mesmo muito velho e não está a ajudar nada.