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O Verdadeiro País Real

Sunday, October 11th, 2009

As eleições autárquicas são o retrato mais fidedigno do país em que vivemos.

É por estas e por outras que, por vezes, acho que eu é que estou mal aqui, não o País. Afinal de contas esse, o País, vota consistentemente e sem vacilar nas mesmas opções de governação autárquica, aquela que é considerada a política mais perto do cidadão real.

Vamos por partes:

1º- Os nossos autarcas são velhos e gastos mas continuam lá. A aposta na renovação é praticamente nula e perpetuam-se os figurões, os maiores lá da aldeia. Mas o povo vota, e é soberano nas suas escolhas, novamente sou eu que estou mal aqui.

2º-Alguém me explica como é que Valentim Loureiro e Isaltino Morais cantam vitória constantemente? Pergunto-me se Gondomar e Oeiras gostam de ser sempre as mesmas “terrinhas” feudais e desprezíveis, ou se, afinal de contas, são a face mais visível do Portugal que vota em massa em corruptos e criminosos.

3º- A mudaça quando surge, surge só quando o abuso é tão desmesurado que roça o gozo descarado com as populações. Foi assim o caso de Fátima Felgueiras e Narciso Miranda que viram goradas as tentativas de, respectivamente, renovar ou voltar aos assentos municipais.

4º- Quando vejo tantas votações acima dos 60% e algumas a roçar os 80% vê-se que isto de “democracia” é só para alguns.

5º- Uma palavra para o Porto. Vence o imobilismo e os motores com centenas de cavalos. As corridas vão continuar a ser a forma dominante de cultura na Câmara Municipal do Porto, a baixa continuará a ser reabilitada ao ritmo de 1prédio por ano cujo preço por metro quadrado permanecerá nos 2000-2500€ por metro quadrado. Quem esfrega as mãos é a CP, o Alfa Pendular vai continuar a ir cheio para Lisboa, nas tardes de Domingo e madrugadas de segunda.

6º- Hoje até tivemos um morto. Por mim acho que é apenas o caso mais grave de toda a coacção que pulula nas autarquias e na nossa “democracia”, coacção essa que por vezes já nem é escondida.

Para todos os efeitos é este o País que temos. Para todos o que criticam ou comentam este ou aquele caso lembrem-se, todas as escolhas são feitas por voto popular, o que significa que foram maioritariamente escolhidas por milhares e milhares de pessoas. Posto isto, resta emigrar ou resignar a tudo isto.