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Que dois se juntaram!

Monday, September 7th, 2009

Esta Ferreira Leite tem cada uma! Onde será que ela vai desencantar tamanha capacidade para dar tiros no pé?

Ainda a outra Manuela (a Moura Guedes) recupera do tombo, já esta vai de trambolhão em trambolhão, sujando de cada vez que caí um degrau, a palavra democracia. Depois de comparar o Jornal Nacional ao melhor que a democracia nos oferece, agora vai à Madeira elogiar as capacidades do seu líder, o eterno democrata Alberto João Jardim!

Calha que eu até tenho um contacto privilegiado com o dito arquipélago, vou lá mais que uma vez ao ano e sinto-me sempre numa Venezuela dos pequeninos. Ora são as sedes do PSD por toda a parte, ora é qualquer supermercado, fontanário, passeio, edifício, conjunto de apartamentos, ou jardim que tem lá a bela da plaquinha “Inaugurado a …. por sua Ex.ª o Presidente do Governo Regional da Madeira, Sr. Dr. Alberto João Jardim”, ou é o Jornal da Madeira, distribuído gratuitamente, qual pasquim do regime, mas com um preço de face de 10cents, para evitar complicações com o Tribunal de Contas e afins. Também podia falar da cautela que é necessário observar para não falar em público sobre o estado da política madeirense (recomendaram-me, logo na primeira visita, para evitar o assunto), reservando-se para o recato do lar tais discussões ou observações. “Mas porquê, vão-me prender?”, cheguei a perguntar. “Não, mas quem estiver contigo pode vir a ter problemas, principalmente se trabalhar para o Governo Regional”, foi a resposta que me calou.

A isto Manuela Ferreira Leite chama “Bastião inamovível” e “bom governo do PSD”.

Começo a ter medo da noção de democracia desta senhora, só espero não estar sozinho…

Fascismo insular?

Friday, November 7th, 2008

Simbolo do Fascismo

Portugal sempre teve ilhas, mas a insularidade parece ter atingido na Madeira os limites da legalidade. Mais do que impedir um cidadão de exercer o seu direito de opinião. Mais do que retirar do parlamento regional alguém eleito pelo povo. O PSD Madeira abusou ontem vergonhosamente do seu poder ao ponto de usar os agentes da polícia de segurança pública como seus lacaios de “poder absoluto”.

Salvaguardando as diferenças entre uma democracia baseada na ignorância e abuso do poder e um regime fascista, a democracia na Madeira parece mais navegar à deriva em direcção a África (talvez a caminho do Zimbábue), do que para um regime fascista. Mas a escolha do nome a chamar àquilo que é uma vergonha nacional foi do  Sr.José Manuel Coelho. Fascista é em Portugal um dos maiores insultos políticos possíveis. Tal como a maioria dos portugueses o Sr.José Manuel Coelho associa o fascismo ao partido Nazi Alemão e a ditadura de Salazar. Ainda que essa associação se justifique, é bom dizer que o conceito de fascismo é oriundo da antiga Roma, e que é representado por um facho de madeira com um machado (não por uma cruz suástica). Simbolizando o poder de castigo e morte que os magistrados romanos tinham sobre o povo.  fascismoAntes de ser usado pelos ditadores da segunda guerra mundial, o símbolo já tinha sido utilizado para representar com orgulho o poder da união de um povo. Assim  pode-se encontrar esse símbolo por exemplo na bandeira do cantão suíço de Sankt Gallen ou na moeda “dime” americana.  Assim sendo dá jeito saber como se está a utilizar esse termo, embora em Portugal o seu uso seja consensual.

Herói ou tolinho, certo ou errado, ainda se está para decidir. Mas o Sr.José Manuel Coelho conseguiu definitivamente virar os olhares do povo português para a madeira, e para a sua democracia problemática. Infelizmente para o senhor em causa, a Madeira não tem como problema maior um ditador fascista no poder. Esses são fáceis de derrubar, normalmente à força. O problema da Madeira é que o povo madeirense sofre de insularidade, ao ponto de ter a sua visão da democracia deturpada e irreversivelmente danificada. A ignorância do povo, retrógridão até, leva a que a democracia não funcione. Que os direitos das minorias acabem, e o bom funcionamento de um estado de direito cesse. O governo regional da madeira reflecte um povo insular que é acima de tudo egoísta. Aqueles que beneficiam com o poder estabelecido apoiam esse mesmo poder, todos os que se opões ao poder são excluídos de direitos e oportunidades. Caciquismo é uma palavra forte, mas é a única que parece encaixar.

A insularidade mata?

Saturday, September 20th, 2008

Alberto João JardimA Madeira, pérola do Atlântico, pátria de El’ Rei Pançudo Alberto João Jardim e sua corte, morada dum património turístico invejável e de milhares de velhinhos vindos dos glaciares e neves da Europa central e do norte.

Para um continental (ou “cubano” como “carinhosamente” um natural de Portugal Continetal é, por vezes, apelidado), salta à vista o clima e o mar al dente, a beleza paisagística e o ferrenho regionalismo destas gentes, quais irredutíveis gauleses de Goscinny e Uderzo. Os jornais regionais (”matutinos independentes”) são a moeda corrente, sendo os nacionais generalistas relegados para segundo plano, e diga-se que, para uma região de pouco mais de 200.000 habitantes, nota-se a dificuldade em arranjar notícias que façam um jornal.

Nada que assuste editores e redactores, afinal há sempre a política regional e a do “rectângulo” (outro nome para Portugal Continental) para apimentar e encher as páginas. Todos sabemos que El’Rei Pançudo é profícuo nas suas intervenções, e não são raras as referências veladas (ou não) à independência do território e à pouca qualidade da política “rectagular”. Bem, até lhe dava razão neste último ponto, mas apetece usar um dito da infinita sabedoria popular….diz o roto p’ró nu…

Chego à conclusão que a Região Autónoma da Madeira vive dividida entre aqueles com miopia aguda a degenerar para a cegueira, convencidos que uma ilha pode ser um país e os outros, os que sabem reconhecer que as especificidades dum território são para ser mantidas e preservadas sem gerar, com isso, divisões.

E não me saí da cabeça que toda esta ânsia pela autonomia é mais uma forma de manter os mesmos no poder. A técnica é velha, remonta aos primórdios do pensamento político, e consiste em criar um inimigo externo, centrar-se nos pontos de ruptura e culpá-lo por todos os males internos. Serve, por um lado, para gerar união no território e, por outro, para desresponsabilizar as lideranças pelo que está mal. Perguntem a um tal de G.W. Bush que ele percebe do que eu estou a falar…