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Olha quem fala agora!

Tuesday, November 18th, 2008

Birra da Manuela BARTOONNa semana passada a líder do PSD fez a maior birra política dos últimos tempos, ao implicar que os patrões dos meios de comunicação social são maus para ela e não a passam nas notícias. Este comportamento de menina mimada revela o profundo desrespeito pelos partidos que realmente falam com o povo e que desse modo conseguem ganhar tempo de antena (olhem o PCP por exemplo). A sugestão de que teria de haver alguém imparcial a escolher que notícias partidárias passar, quando e por quanto tempo é mais estúpida e perigosa do que as coisas estúpidas que o PNR sugere. Seria o fim da liberdade de imprensa…

Acima de tudo é extremamente engraçado como esta senhora, que tanto quer falar agora, passou o primeiro mês do seu mandato como líder do PSD calada. Durante esse tempo desprezou os meios de comunicação e o povo português,  não ajudando na discussão dos assuntos importantes para a saúde da democracia em Portugal. Agora está à espera que alguém a queira ouvir, que nem criancinha que chora quando quer atenção…

Fascismo insular?

Friday, November 7th, 2008

Simbolo do Fascismo

Portugal sempre teve ilhas, mas a insularidade parece ter atingido na Madeira os limites da legalidade. Mais do que impedir um cidadão de exercer o seu direito de opinião. Mais do que retirar do parlamento regional alguém eleito pelo povo. O PSD Madeira abusou ontem vergonhosamente do seu poder ao ponto de usar os agentes da polícia de segurança pública como seus lacaios de “poder absoluto”.

Salvaguardando as diferenças entre uma democracia baseada na ignorância e abuso do poder e um regime fascista, a democracia na Madeira parece mais navegar à deriva em direcção a África (talvez a caminho do Zimbábue), do que para um regime fascista. Mas a escolha do nome a chamar àquilo que é uma vergonha nacional foi do  Sr.José Manuel Coelho. Fascista é em Portugal um dos maiores insultos políticos possíveis. Tal como a maioria dos portugueses o Sr.José Manuel Coelho associa o fascismo ao partido Nazi Alemão e a ditadura de Salazar. Ainda que essa associação se justifique, é bom dizer que o conceito de fascismo é oriundo da antiga Roma, e que é representado por um facho de madeira com um machado (não por uma cruz suástica). Simbolizando o poder de castigo e morte que os magistrados romanos tinham sobre o povo.  fascismoAntes de ser usado pelos ditadores da segunda guerra mundial, o símbolo já tinha sido utilizado para representar com orgulho o poder da união de um povo. Assim  pode-se encontrar esse símbolo por exemplo na bandeira do cantão suíço de Sankt Gallen ou na moeda “dime” americana.  Assim sendo dá jeito saber como se está a utilizar esse termo, embora em Portugal o seu uso seja consensual.

Herói ou tolinho, certo ou errado, ainda se está para decidir. Mas o Sr.José Manuel Coelho conseguiu definitivamente virar os olhares do povo português para a madeira, e para a sua democracia problemática. Infelizmente para o senhor em causa, a Madeira não tem como problema maior um ditador fascista no poder. Esses são fáceis de derrubar, normalmente à força. O problema da Madeira é que o povo madeirense sofre de insularidade, ao ponto de ter a sua visão da democracia deturpada e irreversivelmente danificada. A ignorância do povo, retrógridão até, leva a que a democracia não funcione. Que os direitos das minorias acabem, e o bom funcionamento de um estado de direito cesse. O governo regional da madeira reflecte um povo insular que é acima de tudo egoísta. Aqueles que beneficiam com o poder estabelecido apoiam esse mesmo poder, todos os que se opões ao poder são excluídos de direitos e oportunidades. Caciquismo é uma palavra forte, mas é a única que parece encaixar.

Santana para Lisboa

Monday, October 27th, 2008

Santana LopesQue a oposição em Portugal está mal, já se sabe. Que o PSD tem tantos problemas internos que ninguém com juízo acha ser uma alternativa credível para o governo, também já é conhecimento geral. Mas algo inédito aconteceu na semana passada, algo que não faz sentido para ninguém.  A líder da oposição recusou-se a falar sobre a candidatura de Santana Lopes à Câmara de Lisboa, alegando que algo mais importante (o orçamento) teria prioridade, mesmo que depois nada de construtivo tenha dito sobre o mesmo. Para muitos portugueses este foi um momento de “dejá vu”, um momento em que nos veio à cabeça todas as ocasiões em que os jornalistas tentaram colocar questões ao Eng. Sócrates ou a outros membros do governo só para receberem um “agora não” com altivez e desdém. Parece que a líder do PSD acha que consegue chegar ao governo copiando aquilo que o governo faz de pior. Está tudo tolo…

A verdade é que em nada ajudou a opinião pública do PSD a mudança das regras internas para o possível apoio à candidatura às autarquias de membros do partido que sejam arguidos em processos judiciais. Esta regra introduzida com coragem por Marques Mendes para limpar o PSD de pessoas como Valentim Loureiro, foi agora modificada para introduzir a candidatura de Santana Lopes à câmara de Lisboa. Não sei qual dos dois realmente poderá ter cometido mais crimes, mas sei de certeza qual dos dois os portugueses gostam menos.  Mais uma jogada que só tira pontos ao PSD.

A Sra. Manuela Leite é muito inteligente, que não haja duvidas. A quando da sua eleição para líder do PSD muito de nós sentimos a possibilidade de uma grande mudança no panorama político português. Infelizmente, para se cativar o povo é preciso muito mais do que inteligência, acima de tudo é preciso carácter e inspirar confiança. Neste dois pontos os últimos dias revelam que a líder do PSD parece não estar ao nível desejado…

Oposição mole

Tuesday, October 21st, 2008

PSD moleCertamente muitos dos portugueses não perceberam bem a piada de Karl Marx aparecer no programa do Zé Carlos. Mas “foi de partir a moca a rir”, de longe o melhor momento da nova serie dos gato fedorento. Explicando a piada, algo normalmente desaconselhável: o PS está tanto à direita que o facto do partido ainda ter socialista no nome se tornou uma piada, daí o Karl Marx não estar contente (Marx = Socialismo).  A última sondagem aos portugueses revelou que o CDS já quase não existe, que o PSD não consegue andar para a frente, e que a esquerda nacional está a ganhar força. Todos estes factos podem ser explicados pela lenta mas certa mudança do PS para a direita do horizonte político português. O que esta sondagem também revelou foi um descontentamento geral dos portugueses com a oposição, o que leva a que muitos votem no governo de José Socrates porque têm medo que a oposição fizesse ainda pior trabalho (o que até agora parece bem possível).

Na verdade a maioria dos portugueses não sabe o que é a esquerda ou a direita em termos políticos, ou o que é o capitalismo e o socialismo como ideias de política governamental. Muito menos são aqueles entre nós que conhecem a doutrina de Karl Marx, tirando os poucos comunistas que não são reformados analfabetos ou jovens “artistas”. A ignorância do povo português em assuntos que não apareçam nas novelas já não é notícia. Mas há algumas pessoas que têm a obrigação de saber o que é uma politica de esquerda e de direita e que acima de tudo têm de decidir se estão à esquerda ou à direita. Uma dessas pessoas é a Sra. Manuela Ferreira Leite. Todavia a reacção do PSD a quase todas as propostas do PS é de critica sem apresentar alternativa. Em alguns casos a Sra. Manuela Ferreira Leite chega a se contradizer em relação ao que pensava quando fazia parte do governo.

Num ponto de vista mais abrangente o PSD não pode criticar o fundamental das politicas do governo de Socrates visto que essas politicas são fundamentalmente de direita.  Infelizmente já não é a primeira vez que ouvimos dirigentes do PSD a propor alternativas mais socialistas para governar o  país. Isto não pode acontecer, o PSD tem de se manter à direita e roubar votos ao PS à direita. Assim o PS seria forçado a  apresentar propostas mais socialistas e a democracia voltaria a funcionar de modo mais equilibrado em Portugal.

Não há dúvidas que o governo do PS está abaixo do que seria esperado, mas o que a maioria dos portugueses vê é uma oposição da qual têm medo, que não creditam ser uma alternativa.