Apesar desta verdade indiscutível (afinal, há muito que sabíamos que quem não está morto, aparentemente está vivo), quem abre os jornais dos últimos tempos, poderá ficar justamente convencido que a hecatombe está próxima.
Primeiro é o petróleo que não pára de subir, depois os cereais, a inflação dispara e a bolsa afunda. Juntando isto tudo às crónicas notícias sobre a má prestação da economia portuguesa (desemprego, confiança, produção industrial), temos um cocktail que poria qualquer um de cabelos em pé. Ou talvez não…
Digo isto porque estou sinceramente convencido que a iliteracia económica do povo português supera a sua iliteracia sobre quase todas as outras coisas (embora seja muita e dê para quase tudo). Caso contrário, não víamos por aí a quantidade de créditos ao consumo que continuamos a ver, quer seja para comprar um televisor, uma arca frigorífica, umas férias de sonho ou um carro para vizinho ver (e olhar para o consumo de combustível? Qual quê…). Tudo isto vai contra o mais básico raciocínio económico. Em épocas de crise não se gasta, poupa-se! E se não há para poupar, então certamente que aquele cruzeiro no Mediterrâneo pode esperar por altura mais propícia.
E não me acusem de elitismo ou patacoadas semelhantes, se as taxas de juro sobem para o empréstimo à habitação, então também sobem para os depósitos a prazo. Estamos a falar de 5% de juros brutos limpinhos, praticamente sem risco!
Quem não comprar aquele LCD, com Home Cinema, e puser no banco os 1500 ou 2000€ que não gasta, sai no final do ano com mais 70-80€ líquidos. E a tendência é para subir…
Desculpem mas é preferível que pagar em 12x, com uma T.A.E.G. de 20 e tais por cento, que põe o equipamento lá de casa a custar 2400€, em vez dos 2000€ iniciais.
E se tivessemos tido em conta antes de comprar o AUDI, ou o VW que os consumos de 10l aos 100, ou a mensalidade de 600€ mês não eram fáceis de aguentar se a situação se deteriorasse (Quem diria?!?!?), talvez um carrito da gama abaixo nos permitisse ter juntado uma agradável poupança. O que em tempos de crise dava para sacar um juros jeitosos e amainar o mar revoltoso da crise…digo eu que vivo bem sem Mercedes, LCD’s e cruzeiros, ou férias nas Caraíbas…
Chamem-me o que quiserem, mas sou daqueles velhinhos do Restelo que afirma que em poupar é onde está o ganho.
P.s. : O mundo já viveu outras crises, bem mais feias, inesperadas e duradouras. Mais crash, menos crash, a coisa resolve-se. Só aos tiros é que não se resolve nada…
P.s. 2: E quando as coisas tiverem melhor (eventualmente ficam), vão lá de férias e comprem o televisor!
